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Em julho de 2025, a icônica fachada do Teatro Riachuelo, localizado no centro do Rio de Janeiro, recebeu um ornamento temporário para a divulgação do novo espetáculo em cartaz: o musical Hair — Deixe o Sol Entrar. A Atypique foi responsável por desenvolver a ativação de marca que refletisse a atmosfera da peça, dialogasse com a cidade e convivesse em harmonia com a arquitetura tombada do local.
A cenografia proposta traduz visualmente a essência do espetáculo. O elemento central da instalação é uma mandala astral composta por estruturas metálicas, tecidos translúcidos, PS, EVA e lona pintada à mão, formando um mapa cósmico com os 12 signos do zodíaco, permeado por luas, estrelas e figuras solares. A mandala simboliza a conexão entre o humano e o universo, refletindo o espírito coletivo e cósmico da “Tribo” — nome dado ao grupo de hippies do musical —, que busca o despertar de uma nova consciência. Os signos representam a multiplicidade dentro do coletivo, reafirmando a mensagem sobre aceitação e coexistência. As cores vibrantes foram inspiradas na estética psicodélica dos anos 1960, evocando a energia hippie e a liberdade criativa de Hair. A paleta intensa transforma a fachada em um manifesto visual, uma explosão de cor e simbolismo que anuncia o espetáculo antes mesmo da abertura das cortinas.
A relação com o Teatro Riachuelo, edifício de 1890 e patrimônio tombado, foi um ponto central do projeto. A mandala vazada foi desenhada para dialogar com a fachada sem ocultá-la, permitindo integração orgânica — como se essa cenografia sempre fizesse parte do edifício. Os materiais escolhidos seguiram o mesmo princípio de leveza e respeito: metalon pintado em tons que simulam aço corten, tecidos translúcidos e acabamentos que harmonizam com a paleta da fachada. A instalação utilizou apenas seis pontos de fixação, localizados nas sacadas, com cordas e cintas protegidas por espuma, evitando qualquer dano estrutural. Todo o conjunto foi projetado com materiais leves e resistentes, garantindo segurança, fácil montagem e resistência às intempéries durante os três meses de exposição.
O projeto foi concebido para funcionar plenamente de dia e à noite. Sob a luz natural, as cores e texturas brilhosas mantinham vitalidade e presença. À noite, luzes instaladas sobre a marquise do teatro foram direcionadas à mandala, ativando a cenografia e revelando novas dimensões cromáticas. A interação entre luz e tecido criava uma atmosfera imersiva e psicodélica, em sintonia com o universo sensorial de Hair. O processo de criação e execução da mandala foi colaborativo e artesanal. As formas do círculo externo — estrelas e flores —, bem como os elementos centrais, foram produzidas em materiais dourados e de textura semelhante ao aço corten, destacando contornos e trazendo uma leitura quente e solar. Já os cinco símbolos de maior escala, dispostos no anel interno, foram confeccionados em arame moldado e tecido translúcido branco, pintados à mão com tinta acrílica. Esse material permitiu excelente recepção da luz, criando o efeito de lanternas luminosas à noite — o mesmo utilizado para o letreiro “HAIR”, elemento central que reforça a identidade do espetáculo.
Cenografia para musical Hair no Teatro Riachuelo
Aventura
2025
Rio de Janeiro
Cenografia: Isabela Rozental / Estagiária: Marina Tiba / Representação Visual: Luiza Meyrelles / Execução: Daniel Assis, Clecio Regis, Cleber Regis e Yasmin Moraes